sábado, 7 de novembro de 2009

Trecho de Henry and June

"Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela."

(Anaïs Nin)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Efeito Urano

Já pedi todas as desculpas que a minha culpa aguentaria. E o que tenho de dor na garganta, que me faz ficar sem voz, é o medo de que o meu amor, sendo dito, pareça, de novo, tantas vezes, mais uma vez, mentiroso.

"Como diria Nabokov, é foda ficar tentando explicar o que já é sabido."

Meia-noite, eu já era a mulher mais infeliz do mundo.

trechos das cartas de Alice!

(...)

muitas vezes, até esfrego os olhos com as pontas dos dedos enquanto respiro fundo. É patético, mas resolvi deixar você saber. Estou te amando exatamente agora, de uma maneira tão sublime, tão delicada que me faz pensar em nunca lhe dar o meu amor, para que ele nunca quebre, para que ele se mantenha sempre neste mesmo prisma, das coisas que poderiam ter sido e não foram. Assim você me deixa te amar sem exigências, sem ultimatos.

(...)

Sim, também acho um desperdício passar pela vida assim, sem ser sua amiga, conhecida, amante, ou até mesmo sua inimiga, mas nada, nada é folha em branco... fica pedindo cores, letras, palavras, frases... Nada é nada! E o nosso nada sempre significou alguma coisa, que para descrevê-la, teria que me desarmar dos melhores adjetivos. Estou fazendo exatamente o que prometi a mim mesma que não faria, escrever, deixar as palavras seguirem sozinhas seu rumo, sem pensar muito. Tentar escrever apenas o que sinto, sem o medo peculiar de ser apedrejada, e no mais, talvez você nem leia, talvez seja apenas mais uma carta, como tantas outras que ainda guardo nas gavetas.

(...)

Estou tentando ignorar o pôr do Sol, o entardecer, as gotas de chuva que escorrem no vidro da minha janela, o céu estrelado, o cigarro solitário, o violão e a música. Quando chega a noite, fecho os olhos, juro que não durmo pensando em você... Leio um livro, uma revista, adormeço assistindo tv... mesmo assim, sonho contigo, e é quase toda noite! Por favor, não ria da minha obsessão, tudo isso também soa tão ridículo para mim quanto para você. Mas o amor é isso, não ter medo de parecer ridículo, brega ou piegas. E eu te amaria até mesmo se você fosse azul...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Oh meu Deus, me dê coragem!!! Coragem nos dias que a brisa quente bate em meu rosto, e eu, respiro fundo e penso que tenho que continuar, e não importam as circunstâncias, vou vivendo, porque só me é permitido viver, respirar, contar até três, um dia de cada vez."

terça-feira, 7 de julho de 2009

Onde Andará Dulce Veiga?

"Dentro daquela saudade que não ia embora por mais que o tempo passasse e dentro dele, mesmo sem lembrar, apenas agindo, todos os dias eu acordava e tomava banho, escovava os dentes e fazia todas essas coisas rotineiras, igual a alguém que aos trancos, mecanicamente, continua a viver mesmo depois de ter perdido uma perna ou um braço que, embora ausentes, ainda doem - sem poder evitar, inesperadamente, sem querer evitar, outra vez lembrei de Pedro."

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"É quase inacreditável ver como você consegue ser emocional sem ser babaca, política sem ser panfletária, sensual sem ser grossa, culta sem ser pedante, elegante sem ser fresca. Como você consegue a medida exata da sutileza."

"Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor?"