terça-feira, 1 de agosto de 2023

Uma paixão antiga, a escrita!

Sentada na frente da TV depois de um dia exaustivo, a respiração ficando cada vez mais pesada... na mente apenas uma antiga frase (no repeat), "Writing is not, for us an art, but breathing! Writing is not for us an art, but breathing! Writing is not for us an art, but breathing!" . 

Sim, precisava escrever...



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

“Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi.” 

 Caio Fernando Abreu (1948-1996)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Quem foi mesmo que disse que é melhor ser alegre que ser triste?


Rio Claro, 21 de Fevereiro de 2012

Quem foi mesmo que disse que é melhor ser alegre que ser triste? A tristeza faz bem, faz com que a gente pare no meio dessa correria frenética do dia a dia para pensar mais na gente, nos nossos sentimentos e comportamentos diante determinadas situações. 

Grandes decepções servem para nos fazer jurar que nunca mais iremos acreditar no amor, mesmo morrendo de vontade de acreditar de novo. Vai ser completamente patético o que vou dizer, vou morrer de vergonha depois, mas ando por aí com uma faquinha cravada no meio do peito, e onde quer que eu vá a levo comigo (mesmo que não queira). Sofrer é isso, é aquela faquinha invisível cravada no peito - que parece ser eterna - e mesmo que todos digam "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima", "não vale a pena ficar assim", que papo de gente chata que parece que nunca sofreu, me deixe aqui com a minha faquinha cravada no peito, não tenho medo de chafurdar nos meus sentimentos, de ir bem fundo, até o fim, pra depois renascer me sentindo a Fenix, inabalável... até que a próxima decepção me passe outra rasteira, afinal, quem é que está imune à essas coisas, não é mesmo? 

Maybe I'm just a dreamer, não me identifico com o mundo onde vivo, de pessoas superficiais, de sentimentos instantâneos e com prazo de validade, sou antiga, acredito naquele papo de envelhecer juntinho, de que você é a única pessoa responsável por eternizar as coisas dentro de você, e eu eternizo, morro de carinho pelas pessoas, sou só perdão... 

Tudo valeu a pena, cada segundo, cada lembrança, cada sorriso, as lágrimas, o amor, todos os momentos, todo aprendizado... e não é que já não sou mais uma menina? Me transformei em uma mulher forte, cheia de histórias e convicções. Errei muito até aprender a errar menos. 

Não romperei laços que nunca se romperão, a marquinha fica na alma, acho isso tão bonito que chega a ser triste... latina, passional.

De verdade? Não estou preocupada com o futuro, as coisas acontecem quando menos esperamos. Quando estamos sem maquiagem, acima do peso, quando saímos de pijama, e, sobretudo, quando não estamos preparados, pois não existe preparo, não estar preparado é a a essência que faz as coisas acontecerem, porque uma pessoa nunca estará preparada para algo que não conhece. 

Ouvindo Bon Iver - Skinny Love (porque se minha vida fosse um filme, essa música estaria na trilha sonora)







quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Fragmentos

Não olhar o pôr do Sol, não ouvir música, não olhar o céu, as estrelas, as gotas de chuva escorrendo do telhado... Estou tentando ignorar, não ouvir Cartola, poxa, Cartola consegue ser mais deprê que Radiohead!
Fiquei assistindo o dvd do John Mayer, olhei pro lado e agarrei um almofadinha, ajeitei o óculos, pijaminha, coisa bem nerd mesmo... só faltou o pote de napolitano no colo (minha escolha nos dias de indecisão sobre sabores), como se eu não soubesse que John Mayer não é coisa para se ver ou ouvir sozinho.

Me perdoe! Se perdoe. Eu vou tentar me perdoar, quem sabe um dia... 

E que haja vida para haver futuro, e que o destino conspire a nosso favor.

Então, aproveite bem a vida... Porque o que eu quero com você, dá direito a igreja, festa e lua de mel, meu amor.


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quem vai dizer tchau?

Tenho me perguntado o que é felicidade, tenho falado com Deus. Queria que doesse menos, que não fizessem perguntas, queria largar tudo e viajar o mundo, e como diria Caio F. "é sempre eu quero, eu quero, nunca eu tenho", e não ter dói!

Minha mãe me disse que tudo é uma questão de destino, que um pontinho dado aqui, só vai ser arrematado lá na frente... E eu, que sempre acreditei em destino, agora não me deixa nada confortável saber que não tenho o controle de todas as coisas.

Há muito tempo atrás fui em uma cartomante, e as cartas do tarô diziam que eu ia encontrar o amor da minha vida, "você vai ser o ar que ele respira"... e isso, segundo à cartomante, era uma coisa muito rara. Não acredito mais em tarô, muito menos em cartomantes.

Hoje, uma amiga da minha mãe que perdeu o marido há um mês, me chamou p/ ajuda-la com umas coisas na casa dela. Cheguei lá, vi a foto dela e do marido, sorridentes, na estante. Vi as coisas dele ainda pela casa, ela me disse que não teve coragem de tirar nada do lugar ainda, o tênis dele no mesmo lugar que ele deixou. "Olha, Maurinha... me faz muita falta não ter ele pela casa, saber que ele podia não estar perto, mas que estava ali, às vezes choro de saudade, mas a vida é assim...", e eu, que sempre tive palavras de conforto para qualquer pessoa, fosse ela um estranho passando na rua, não tive o que dizer, e isso também me doeu. Eu tenho MUITO medo de perder as pessoas que amo, muito! E já perdi muitas... amigos, amores, familiares. E perder pra morte, é perder duas vezes. Então meu lema, hoje, é viver como se fosse morrer amanhã, dizer o que penso, fazer o que sinto vontade, engolir o orgulho, não sustentar situações insustentáveis.

Quando passo pelas pessoas nas ruas, penso que cada um tem a sua história, de dores, alegrias e amores, que cada um carrega a sua cruz. Eu não sei o que vai acontecer amanhã quando eu acordar, o que vou sentir, só sei que a vida continua, um dia de cada vez, e continua para todos. Procuro ser sincera com as pessoas, com os meus sentimentos, é a melhor forma que encontrei para viver bem, e nada do que penso precisa ser permanente, sempre digo que as pessoas que pensam podem mudar de opinião a qualquer momento, mas hoje, a minha opinião é cuidar de mim para poder ser melhor para os outros.



terça-feira, 4 de maio de 2010

Que o nosso amor pra sempre viva, minha dádiva...

“eu te amei muito.
Nunca disse, como você também não disse, mas
acho que você soube.
Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar.
Pena também que a gente se envergonhe de dizer,
a gente não devia ter vergonha
do que é bonito.
Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo,
e que então tudo vai ser mais claro,
que não vai mais haver medo nem coisas falsas.
Há uma porção de coisas minhas que você não sabe,
e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi
de você e voltei e tornei a fugir.
São coisas difíceis de serem contadas,
mais difíceis talvez de serem compreendidas
— se um dia a gente se encontrar de novo, em amor,
eu direi delas, caso contrário não será preciso.
Essas coisas não pedem resposta nem ressonância
alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor
e ternura que eu tinha — e tenho — pra você.
Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém,
como você existe em mim.”

(Caio F. Abreu)

É como se alguém entendesse minha história melhor que eu.

sábado, 13 de março de 2010

Um breve suspiro de felicidade

Tô tão feliz, e essa felicidade não tem nada a ver com o mundo exterior, material ou sentimental, é uma felicidade completamente interior. Não consigo achar explicação de onde isso vem. Uma felicidade merecida, sabe? Ando com uma sensação de que não importa o que aconteça, as coisas vão dar certo, vai acabar tudo bem. E tudo bem! Tudo bem...



quarta-feira, 10 de março de 2010

Decomplique

Não consigo explicar essa sede, o ímpeto, a coragem, de dizer, expressar, entender o sentir... e sentir sem medo, sem vergonha, sem culpa, sem expectativas, sentir... com a alma!
Viver é um absurdo, é um absurdo como existem pessoas ao meu redor que não sabem viver...

Ei, você aí do outro lado, des-com-pli-que!

A vida exige apenas que optemos pelo simples, que sejamos práticos, diretos, sinceros. Tenho me deparado com tantas teorias desde que nasci, fatos exteriores que me foram impostos sem que eu percebesse, tenho acesso ao universo amoroso feminino, onde as mulheres acreditam que existem muitas regras... Não existem regras nos relacionamentos, tá com vontade de ligar? Ligue... Coisa mais babaca e retrograda ficar esperando por aquele telefonema que não chega, cheia de minhocas na cabeça...

"Ele me ligou, disse que tava com dor de cabeça e que não ia sair comigo hoje, vou desencanar, ele não deve estar afim de mim..."

Mas peraí, e a possibilidade de ele estar dizendo a verdade? Ele só tava com dor de cabeça e queria fizar em casa.

Pra que ficar buscando sentido atrás daquilo que as pessoas dizem?! Será que ninguém no mundo consegue ser autêntico e sincero? Quantas oportunidades perdemos na vida por não falar, não dizer, não ligar? Acredito que muitas.. que o mundo seria muito melhor se as pessoas deixassem claro aquilo que desejam. Assusta? Inicialmente sim, principalmente porque quando se trata de sinceridade, você tem que estar ciente que nem sempre irá ouvir o que quer, mas prefiro ouvir o que quero e o que não quero, a não saber, o não saber perturba e muitas vezes atrapalha, fica como se fosse uma lacuna a ser preenchida, eu tenho sede de saber... serei punida pelos que não sabem?

("eu sei", segundo a astrologia, é a frase preferida dos aquarianos)

Intensidade sempre foi meu nome do meio, prefiro sentir, ser feliz, amar, me entregar, me sentir piegas, ridícula, Macabéa arrependida... sofrer e chorar, sabendo que tudo um dia vai passar, por mais que demore... e que no final das contas, valeu a pena ter vivido... viver é um grande aprendizado!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quem mexeu na minha serotonina?

Tenho tido tantas idéias bacanas, tantas coisas legais pra dizer, e sempre passo pelo computador e me bate uma preguicinha... vou adiando, adiando, e quando entro aqui no blog, me bate até um desespero. Cada vez mais desinteressante, cada vez menos lido. Na verdade, acho que nem preciso ser lida.

Preciso, às vezes...

Hoje estou num daqueles dias. Não, não é tpm, embora eu ande comendo bastante brigadeiro ultimamente. É um daqueles dias frios, de pijama e meias quentes nos pés, de cigarrinho com olhar distante na janela, de fone de ouvido, música... todo dia é dia de música!

Santa Música! Como eu gosto de música, de descobrir bandas novas, de achar o máximo, de achar um lixo. Eu tenho uma música para tudo, para cada situação, músicas que lembram pessoas, pessoas que lembram músicas. Na minha "aborrescencia", em cada página do meu diário, tinha um trechinho de música, rabiscado com canetas de glitter. Eu respiro música, eu cantarolo o dia inteiro.

Minha playlist está um tanto quanto deprê, mas é isso aí, bacon é vida, deprê é saudável! Hoje me bateu um nózinho brabo na garganta, um nózinho diferente do de costume, e pela primeira vez, o nózinho veio acompanhado de uma vertigem, enjôo. A coisa é mais séria do que eu imaginava, está ficando física, veja bem, A COISA. Eu não sei do que se trata, mas doutor, é um nózinho agudo aqui no peito, que sobe pela garganta, termina sempre em suspiros, longos e cabisbaixos!
Pensando bem, eu não queria que esse blog fosse tão público, tô pensando em mudar... tô pensando tanto... mudar, mudar... mudar o endereço do blog, cortar o cabelo, mudar a cor, mudar de endereço, meter uma mochila nas costas e sumir mundão afora, colocar de volta o piercing no nariz (pela terceira vez, yeah, rebeldia!), fazer uma tatuagem nova, virar vegetariana, fazer um curso de astrologia, voltar pro yôga.
Mas que crise adolescente, dona Maura!

Feliz são as pessoas que sabem o que querem na vida, da vida. Eu, não sei. Ainda não acertei o o "timing", de dizer as coisas certas, de calar. De fazer acontecer na hora certa, faço a coisa certa na hora errada, muitas vezes tarde demais. De ter certeza sobre decisões a longo prazo. Prozac resolve? Na verdade acho que nada resolve, nada melhora, nada cura essa minha paixão involuntária pelo mundo!! Eu estou profundamente apaixonada pelo mundo, pelas pessoas, pelas músicas, pelas palavras. Apaixonada pelo frio na barriga, pelas pernas trêmulas, pelo roteiro imaginário, apaixonada por beijos e abraços que trago em mim, bem guardados. Apaixonada pelas luzes da cidade, pela noite, faróis acesos, estrelas, luas, ovnis's, porres, papos, pelos lugares e coisas que vejo, e que queria poder gravar em videos, todas as coisas que eu queria que você visse! Sobretudo, apaixonada por tudo o que eu ainda não vi, não vivi! Eu quero viver tudo, e tudo de uma vez só, e uma vida é muito pouco! E a vida passa rápido demais, para não viver nada.

White Stripes - Fell in love with a girl
Fell in love with a girl
fell in love once and almost completely
she's in love with the world
but sometimes these feelings can be so misleading
she turns and says "are you alright?"
I said "I must be fine cause my heart's still beating"
She says "come and kiss me by the riverside,
bobby says it's fine he don't consider it cheating"
Red hair with a curl
mellow roll for the flavor and the eyes for peeping
can't keep away from the girl
these two sides of my brain need to have a meeting
can't think of anything to do
my left brain knows that all love is fleeting
she's just looking for something new and
I said it once before but it bears repeating

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Oh meu Deus, me dê coragem! Coragem nos dias que a brisa quente bate em meu rosto, e eu, respiro fundo e penso que tenho que continuar, e não importam as circunstâncias, vou vivendo, porque só me é permitido viver, respirar, contar até três, um dia de cada vez."

(Maura Matuda)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

palavras

arde, dói, culpa, coragem, desejo, vibra, música, faz sorrir, entristece, acovarda, enfraquece, fortalece, contradiz. antes de dormir, quando acordo, na estrada, a lua, o céu estrelado, o pôr do sol, o vento batendo no rosto, no carro voltando pra casa, uma paisagem bonita, o restaurante japonês que descobri semana passada, um filme, as barras, as conquistas, a miniatura do super-herói preferido, o quadro da banda favorita na vitrine do shopping. presença, cheiro, gosto, voz, calor, gesto, olhar, sorriso, traumas, complexos, manias, viagens, casa, família, cachorro, histórias, saudade. vai sempre terminar em saudade. 

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"É quase inacreditável ver como você consegue ser emocional sem ser babaca, política sem ser panfletária, sensual sem ser grossa, culta sem ser pedante, elegante sem ser fresca. Como você consegue a medida exata da sutileza."

sábado, 28 de março de 2009

week

fui ao banco,
achei um cabelo branco.

comprei água com gás,
um marcador de livros,
saquinhos artesanais para presentes,
dois sapatos e uma bolsa, lindos de morrer!

pintei as unhas de vermelho!

fiz novos amigos, encontrei com os velhos
descobri algumas bandas novas,

escutei músicas antigas.

chorei vendo tv

e sorri, sorri, sorri.

joguei truco e buraco,

estourei uma corda do violão.

olhei a lua,
olhei o céu, estava azul
olhei o céu, estava estrelado
olhei o céu, estava nublado
ouvi a chuva caindo no telhado...

caminhei à noite numa avenida movimentada,
e enquanto os carros passavam
com seus faróis acesos e buzinas pressionadas,
senti o vento do outono batendo no rosto,
soprando meus cabelos,
fechei os olhos e foi como se o mundo parasse por alguns segundos, no pause,
esses são meus instantes...

comi torrone, mousse de maracujá e os chocolates que eu comprei pra dar de presente.
:/

comprei dois dvds e ainda não assisti,
escrevi e não enviei,
me cansei,
dormi.

voltei a sorrir para as pessoas na rua...


trilha sonora:
Brett Dennen - desert sunrise


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

de: feitos

Sou uma pessoa normal e levo uma vida tranquila, com simplicidade. Tenho bons amigos, admito meus erros (a maioria das vezes) e peço desculpas. Sou muito sincera, mas aprendi que às vezes é necessário omitir "minhas verdades" para não magoar os outros desnecessariamente. Sou contra qualquer tipo de preconceito. Brava, muito brava! Nunca mexa com o "migo" nem com os "meus". Gostaria de falar 8 idiomas, ser mais paciente, mais magra, não tomar tanto sorvete, falar pouco, não ser estressada, hipocondríaca, dormir menos, confiar menos nas pessoas, pensar mais em mim do que nos outros (ser egoísta), ter aproveitado melhor meu tempo, conseguir guardar dinheiro, não ter tantas dúvidas e essa baita tpm. Sou alguém que não precisa provar nada p/ ninguém e nem implorar para que me aceitem ou me amem! Tenho crises de mau-humor incontroláveis, muitas manias chatas, sou mandona e tenho um alto poder de persuasão. Portanto, corra Lola, corra! Fuja de mim... go! go! go!

Pink Floyd - I wish you were here
(cheia de simbolismos, a primeira que eu aprendi a tocar no violão)
se palavras fossem suficientes não existiria música.


sábado, 24 de janeiro de 2009

Learning the blues

"Escolherei lentos blues, solos sofridos de sax, pianos lentíssimos, à beira do êxtase, clarinetas ofegantes e vozes graves, negras vozes roucas ásperas de cigarros, mas aveludadas por goles de bourbom ou conhaque, para que tudo escorra dourado como a bebida de outras águas, não estas, tão turvas..."
Caio Fernando Abreu


Robert Johnson - Kind hearted woman blues

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"when sad things happen it starts raining, it's been raining..."

Quem foi mesmo que disse que recordar é viver? Passei a madrugada relendo alguns textos, sorrisos ternos, olhinhos brilhantes, tensão, risada alta, rubor e aquela lágrima fujona no cantinho do olho esquerdo... Sim, recordar é viver! E no meu caso, com um apertinho agudo no peito.

Kimya Dawson - So nice so smart!


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Fanatismo Fluorecente, sobre Alice

Dedicado a Caio F. Abreu, que assim como eu, pedia perdão pela precariedade e pelas tentativas inábeis e desajeitadas de segurar a maçã no escuro.

"Porque a vida, a vida, a vida
A vida só é possível

Reinventada."

(Cecília Meireles)




O tempo passa e vamos crescendo, chega um belo dia, você deita na cama pra dormir, cansado, não consegue. Então a sensação que lhe toma a mente e dói no peito é a sensação de vida pela metade, de sentimentos encharcados, não ditos, ditos na hora errada. Um rodamoinho girando, girando. Quando criança minha mãe sempre me dizia que os sacis viviam dentro desses rodamoinhos, sempre acreditei em tudo o que ela me dizia, fui crescendo e a magia acabando, percebi aos poucos, ainda menino, que todas as histórias que eu, orgulhosamente, contava para meus amiguinhos na escola, eram histórias inventadas pela minha mãe, para que eu pudesse ver a vida de maneira mais branda. 

Vamos crescendo e a magia vai se perdendo. A realidade nos mostra que não existem príncipes encantados ou princesas, coelho da Páscoa, Saci e Papai Noel, que amar ou ser amado não é o suficiente para fazer alguém feliz. Deitado na cama, olho para o lado... Luiza está dormindo, pessoas dormindo sempre me pareceram tão frágeis, sempre as perdoo quando as vejo dormindo. 

Sei que talvez isso magoe, mas acredite, tem doído em mim manter todas essas palavras enclausuradas. Olho o celular e vejo a fotografia de Alice, me desfaço em gritos internos de eu te amos, te amo, tanto, tanto... Tenho pensamentos sombrios, penso que não pode ser amor, mas passo o dedo levemente em seus lábios sorridentes no retrato, começo a me achar piegas, um momento “Okay, sou ridículo e tenho sentimentos ridículos”, e tudo bem, tudo bem! Imagino que se alguém pudesse me ver, estaria dando gargalhadas! Penso em deixa-la saber, mas também penso na fragilidade das palavras, que depois de ditas, mudam olhares e expectativas, enchendo de poder as mãos de uma pequena Narcisa. Meu fado, resolvi carregar calado. Viveria para sempre assim, à espera de uma intervenção divina? 


Não tinha certeza de mais nada, o amor crescia em meu peito, a cada dia me sentia mais apaixonado, imaginava que poderia não acontecer novamente, e que quando ela, finalmente, encontrasse outro homem – e certamente encontraria em breve, me doeria ainda mais. Choraria, beberia vodca, procurando alguma simpatia nas faces das pessoas sentadas, dos garçons que serviam bebidas no balcão, esperando que alguém desse alguma abertura, para que eu lhes pudesse falar, enfim, de meu grande amor não vivido, jamais revelado. Enfeitaria a história, para deixar tudo mais bonito, com riqueza de detalhes, mas o pior mesmo seria saber que ela estaria em outros braços, assim como eu estive, e por covardia seguia magoando duas pessoas que me amavam. Pediria mais uma dose de vodca, diria que jamais encontraria alguém como ela, conexões assim acontecem uma vez na vida! Ela me precedia, tínhamos os mesmos gostos, riamos das mesmas piadas, riamos muito, passávamos horas conversando, nosso assunto nunca acabava. Ela era tão anterior a tudo, e, se nós jamais tentássemos, a perfeição jamais seria interrompida, não havendo encontro não haveria despedida, não haveria chance de quebrar uma perfeição que não existe. A grama do vizinho, eternamente mais verde e mais sadia que a minha. Eu me daria por vencido, e o tempo, o Senhor da Vida, me ajudaria a esquece-la, ficaria apenas a lembrança de uma imensa bobagem, talvez justificada pela carência ou pelo romantismo exacerbado, romântico incorrigível que sempre fui e sempre serei.

Toda noite, quando fechava os olhos antes de dormir e quando os abria logo pela manhã, meu último e primeiro pensamento eram sempre o mesmo: ela! Obcecado, mantinha meu corpo esguio deitado olhando para o teto, muitas vezes fechava os olhos e ficava imaginando cenas bobas, um sorriso, um beijo demorado e outras coisas que pessoas, quando estão apaixonadas fazem. Isso, também me doía, sem que eu percebesse.

Em um bar na Augusta, sexta-feira de madrugada, tomo minha dose enquanto o garçom limpa o balcão com um pedaço de pano velho, encardido por todas as doses derramadas. Ali, tomo minhas doses todas as sextas, faço amizades com estranhos, ouço histórias, compartilho minhas histórias também, 
algumas inventavas, apenas para manter o brilho aceso nos olhos alheios a me ouvir, mas falava do garçom, que me perguntara: 

- E porque não ficam juntos?

Sorrio. 


- Pois bem, por que não ficamos juntos? Nada é tão fácil quanto parece, e ela também não sabe, pelo menos eu acho que não...
- Como não?

- Nunca tive coragem de confessar, e quando finalmente de coragem enchia o peito, ela não me escutava.
- Mas você acha que ela nutria ou nutre algum tipo de sentimento por você?
- Não sei... Às vezes, tenho certeza que ela me ama também. Às vezes não. Tudo é tão confuso.
- Éh, camarada! Passei por uma coisa semelhante, mas quando enfim tive coragem e lhe mandei um buquê de flores com um cartão, ela me ligou para agradecer, e marcamos um encontro, estamos juntos até hoje!
- E isso é bom ou ruim? (Pergunto com um sorriso sarcástico no canto da boca)
- A perfeição não existe, tenha isso em mente e viva bem! Você não vai sentir frio na barriga e borboletas no estômago para sempre, uma hora acaba, o que resta é amizade, companheirismo, respeito.
- Mas então o amor não existe?
- Talvez, o amor seja exatamente isso. Você acha que os casais que vivem 50 anos juntos, foram apaixonados o tempo todo ou continuam sentindo o mesmo amor latente do início?
- Não sei, mas meu senhor, tenho 27 anos, não me tire essa ilusão, ainda quero acreditar no amor, quero acreditar que as pessoas não ficam juntas por conveniência, que não ficam juntas apenas por compaixão, porque tem objetivos em comum, porque nunca brigam. Eu quero ter ciúmes, brigar, depois fazer as pazes ardentemente na cama, quero olhar para ela enquanto dorme, sem sentir que a perdôo, mas sim que a amo, e que gostaria de ficar ali, parado, a olhando, para sempre. Dizem que amamos uma pessoa pelo cheiro que ela exala, quero que o cheiro dela fique em minhas mãos quando tocá-la.
- Nossa! Você é romântico. Cuidado, o romantismo, as coisas idealizadas nos deixam suscetíveis ao fracasso, à decepção.
- Sou um jovem de 27 anos, que ainda acredita que o verdadeiro amor existe. Talvez eu tenha que casar dezenas de vezes para manter a brasinha acesa, mas enquanto houver amor, quero poder tentar. E que não haja covardia, para deixar para trás os amores que não latejam mais. Eu acredito que o amor, um dia, também pode acabar.
- Talvez o amor não exista! Já ouviu aquela música dos Titãs? “Existem provas de amor, provas de amor, não existe o amor...” O amor não é uma coisa palpável, você não pode pegar o seu amor e dar p/ outra pessoa, e dizer, olha, ta aqui o meu amor, é seu, olha como eu te amo! E você nunca vai saber se outra pessoa realmente te ama, se não pelas provas que ela possa vir a dar.
- Hmm. É coerente.
- Não pense muito, meu jovem, eu tenho 47 anos, e sei que quanto mais pensamos, menos sentimos. Apenas tenha coragem para viver aquilo que você acredita.
“Provas de amor... provas de amor...” – repetia para mim mesmo mentalmente.

- Me vê a conta?

Colocou o casaco e voltou em passos largos e rápidos para casa, a rua ainda estava molhada da chuva que havia caído, achou isso bonito, e ultimamente, tudo o que via de diferente, um pôster ou uma música num bar, um pôr do Sol laranja e púrpura, um assunto interessante com os amigos, a solidão em meio a uma noite de céu sufocantemente estrelado, a lua cheia, uma banda nova, um livro, uma nova conquista, um filme bom, uma idéia, foto ou paisagem... ele queria compartilhar, queria que ela estivesse lá, ia sempre mais longe, imaginava onde e com quem ela poderia estar! Chegou em casa, tirou o casaco, pegou a vodca que estava no congelador e bebeu no gargalo, acendeu um cigarro e sentou com o cotovelo apoiado no braço do sofá e a mão direita na boca, a esquerda segurava o cigarro, que queimava como incenso. Ficou olhando para o telefone fixamente, um fio separando dois mundos. Tomou um generoso gole de vodca e tragou o cigarro abundantemente, segurou a fumaça e depois a soltou aos poucos, devagar. Teve um instante de silêncio absoluto, de palavras, gestos e movimentos, depois tirou o telefone do gancho, colocou o cigarro no canto da boca, apertou um pouco os olhos por causa da fumaça, discou os números com seus dedos longos, seu coração disparou quando ouviu as chamadas, deixou tocar até ouvir a voz de Alice na secretária eletrônica, ouviu a mensagem até o final, sem prestar atenção sequer em uma palavra, mas apenas em sua voz. Apertou o gancho com o dedo indicador, colocou o fone que segurava com a outra mão no meio do peito, respirou fundo olhando para o tapete vermelho no chão. Era uma noite de sábado, já era tarde. Seu destino, o mais certo, era continuar...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

um velho amor com cheiro de novo...

- Você acha que o nosso amor pode fazer milagres?
- Eu acho que o nosso amor pode fazer tudo aquilo que quisermos. É isso que te traz de volta pra mim o tempo todo.

Caio F. Abreu



The Doors - Love Her Madly

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

"Please, save me the waltz"

Já que ando sem vontade de escrever, ou quando escrevo, não publico, vou rechear o blog com textos dos meus autores favoritos. Protesto? Acho que não. Falta de criatividade? Não também. A verdade é que escrevemos muito bem sobre as coisas que sabemos, sentimos e conhecemos. E as coisas que eu ando sentindo, sabendo e conhecendo não me despertaram "AINDA" vontade de escrever, e quando escrevo, me falta coragem para postar! As palavras traem (ou na melhor das hipóteses, atraem). Eu, simplesmente não estou a fim. Mundo medíocre, pessoas mesquinhas... parem de soprar a ferida, eu gosto mesmo é de coisas de amor.

Lembrei agora de um amigo, que sempre me pedia um excerto. Vivíamos trocando figurinhas sobre textos, livros, autores, amores. E quando eu mandava algo sobre qualquer outra coisa que não fosse amor, ele pedia encarecidamente: - por favor, coisas de amor!

Um dia ele me disse uma coisa tão inocente que chegou a ser infantil. Disse que o amor, podia ser uma dessas coisas que a gente compra no supermercado. Vai lá e pá... lê o rótulo, as instruções, pega o que você mais gosta, leva pra casa e tudo bem. E assim sendo, imagino eu, que quando o amor acabasse, poderíamos ir ao supermecado e comprar outro, novinho em folha.

Tudo seria bem mais simples!

Depois ainda dizem que Deus é homem... se fosse, certamente teria pensado nesse lance de supermercado. Não que eu ache os homens mais práticos que nós, as mulheres. Mas imaginem só o amor no supermercado, ao lado da prateleira de cervejas... Seria unir o útil ao agradável, isso se eles, por acaso, quisessem muuuuito comprar o amor, que custaria caríssimo, e nunca entraria em promoção. Já a mulher, aaaah a mulher, a mulher fantasia, queremos flores, telefonemas, brigadeiro na tpm, comédia romântica e pipoca aos domingo. Mulher gosta de detalhes, não é mais uma teoria furada, estou quase certa de que Deus é mulher!

Bom, tudo bom, tudo certo... amor não se compra, e nem todos creêm em Deus. Acabei fugindo do contexto, estava justamente falando sobre não escrever, e acabei escrevendo. Vou deixar um texto do Caio, com um certo fanatismo ousado, a carta é longa... espero que alguém tenha a paciência de ler até o fim. Eu gosto, muito!


* Porto Alegre, 10 de agosto de 1985 -


"... isso que chamamos de amor, esse lugar confuso entre o sexo e a organização familiar..."

Sérgio, não sabia como começar - então comecei copiando essa frase aí de cima, é Caetano Veloso numa entrevista ao JB, vim lendo pelo caminho, não consegui me livrar dela.

Agora estou aqui, escrevendo para você no meu quarto antigo, que minha mãe conserva tal-e-qual, como se eu um dia fosse voltar para casa. E lá se vão - quantos mesmo? - sei lá, quinze vinte anos, qualquer coisa assim.

Chove. Faz frio. É bom estar aqui. Tão bom. Me sinto protegido. Ficamos vendo velhas fotografias, bebendo vinho e rindo muito. Meu irmão Felipe vestiu um modelinho de couro negro e saiu "para dar uma prensa numa caixa de supermercado". Márcia está tão bonita. E Rodrigo, meu sobrinho, que tem dois anos e não parece quase me desconhecer. Deixei-os vendo um filme antigo dos Beatles, Lennon repetindo "don´t let me down" - e agora percebo que meu inglês anda tão precário que não lembro se é d´ont ou don´t.

Cansado, cansado. Quase não dormi. E não consigo tirar você da cabeça. Estou te escrevendo porque não consigo tirar você da cabeça. Hesito em dizer qualquer coisa tipo me-perdoe ou qualquer coisa assim. Mas quero te contar umas coisas. Mesmo que a gente não se veja mais. Penso em você, penso em você com força e carinho. Axé.

Foi mau, ontem. Fui mau, também. Menos com você, mais comigo mesmo. Depois não consegui dormir. Me bati pela casa até quase oito da manhã. Teria telefonado para você, não fosse tão inconveniente. Acabei ligando para Grace, pedi paciência, chorei, contei, ouvi.

Não era nada com você. Ou quase nada. Estou tão desintegrado. Atravessei o resto da noite encarando minha desintegração. Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro. Farpas. Uma pressa, uma urgência.E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar.

Te escrevo com um cigarro aceso e uma xícara de chá de boldo. A escrivaninha é muito antiga, daquelas que têm uma tampa, parece piano. Tem um pôster com Garcia Lorca na minha frente. Um retrato enorme de Virginia Woolf. E posso ver na estante assim, de repente, todo o Proust, e muito Rimbaud, e Verlaine, Faulkner, Ítalo Svevo, William Blake. Umas reproduções de Picasso. Outras de Da Vinci. Um biscuit com um pierrô tão patético. Uma pedra esotérica ainda de Stonehenge, Inglaterra, uma caixinha indiana. Todos os meus pedaços aqui.E você não me conhece, eu não conheço você.

Te escrevo por absoluta necessidade. Não conseguiria dormir outra vez se não te escrevesse.Zelda, há também o único romance escrito por Zelda Fitzgerald, a mulher de Scott Fitzgerald, que morreu louca, um incêndio, um hospício. Chama-se "Save me the waltz". "Reserve-me a valsa", não é lindo? Lembra o Brahma, se se dançasse no Brahma.

Please, save me the waltz.

Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio. Até o último momento esperei que você me chamasse pelo telefone. Que você fosse ao aeroporto. Casablanca, última cena. Todas as cartas de amor são ridículas. Esse lugar confuso de que fala Caetano. E eu estava só começando a entrar num estado de amor por você. Mas não me permiti, não te permiti, não nos permiti. Pedro Paulo me dizendo no ouvido "nunca vi essas luz nos seus olhos".

Eu não queria saber. Tão artificial, tão estudado. Detesto ouvir minha voz no gravador ou ver minha imagem em vídeo. Sôo falso para mim mesmo. A calma, o equilíbrio, as palavras ditas lentamente, como se escolhesse. Raramente um gesto, um tom mais espontâneo. Tão bom ator que ninguém percebe minha péssima atuação.

Você compreende tudo isso?

Pausa. Campainha. O jornal de domingo. Desço, outro chá de boldo. Um comentário de Rubens Ewald sobre Aqueles dois, diz que é excelente, fala da "dignidade e tratamento delicado dado ao tema". Lembro da crítica de Sérgio Augusto, de como fez mal por dentro. Já passou.

Quando pergunto você-compreende-tudo-isso não estou subestimando você. Ah, deus, perdoe. Não sinto agressividade nenhuma em relação a você. E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, soma-las, diminui-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto.

Dormi umas três horas e acordei ouvindo Quereres, de Caetano. Repeti, várias vezes, cada vez mais alto. Ah, bruta flor do querer. Discutia tanto com Ana Cristina César, antes que ela acolhesse a morte (acertadamente? Me pergunto até hoje, nunca sei responder): nossa necessidade fresca & neurótica de elaborar sofrimentos e rejeições e amarguras e pequenos melodramas cotidianos para depois sentar Atormentado & Solitário para escrever Belos Textos Literários.

O escritor é uma das criaturas mais neuróticas que existem: ele não sabe viver ao vivo, ele vive através de reflexos, espelhos, imagens, palavras. O não-real, o não-palpável. Você me dizia "que diferença entre você e um livro seu". Eu não sou o que escrevo ou sim, mas de muitos jeitos. Alguns estranhos.

Não há nenhum subtexto nisto que te escrevo. Não acho bonito que a gente se disperse assim, só isso. Encontre, desencontre e nada mais, nunca mais, é urbano demais - e eu nasci praticamente no campo, até os 15 anos quase no campo, céu e campo. Não sei se a gente pode continuar amigo. Não sei se em algum momento cheguei a ver você completamente como Outra pessoa, ou, o tempo todo, como Uma Possibilidade de Resolver Minha Carência. Estou tentando ser honesto e limpo. Uma possibilidade que eu precisava devorar ou destruir. Porque até hoje não consegui conquistar essa disciplina, essa macrobiótica dos sentimentos, essa frugalidade das emoções.

Fico tomado de paixão. Há tempos não ficava.

E toda essa peste, meu amigo. O que tem me mantido vivo hoje é a ilusão ou a esperança dessa coisa, "esse lugar confuso", o Amor um dia. E de repente te proíbem isso. Eu tenho me sentido muito mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada, proibida, impedida, aos 36 anos, tão pouco. Nem vivi nada ainda. E não sou sequer promíscuo. Dum romantismo não pós, mas pré todas as coisas - um romantismo que exige sexualidade e amor juntos. Nunca consegui. Uns vislumbres, visões do esplendor. Me pergunto se até a morte - será? Será amor essa carência e essa procura de amor, nunca encontrar a coisa?

Das minhas heterossexualidades, dois filhos mortos, não ficou nada. Das minhas homossexualidades, esse pânico lento e uma solidão medonha. A hora é tão grave.

Vim pegar energia. Sim. Preciso ver a terra, preciso do horizonte do pampa. Já começa a agir, meus ombros se soltaram. Olhei no espelho e aquela ruga entre as sombrancelhas se desfez.

Não quero me tornar uma pessoa pesada, frustrada, amarga. Não vou me tornar assim. Então vacilo, escorrego e a mania de perfeição virginiana e a estética libriana no dia seguinte me dizem "que vergonha, que vergonha, que vergonha".

Eu podia dizer que tinha/tínhamos bebido demais. Eu podia dizer que estava com tanto medo de vir para Porto Alegre. Eu podia contar a você dos meus últimos meses, oito, dez, doze horas por dia sobre a máquina de escrever, falando com quase ninguém. Sozinho, às vezes. Cantando também. Tudo isso, se eu te dissesse, talvez tivesse ajudado a doer menos em você.

De repente me passa pela cabeça que você pode estar detestando tudo isso e achando longo e choroso e confuso. Mas eu não quero ter vergonha de nada que eu seja capaz de sentir. Tento não ficar assustado com a idéia que este tempo aqui é curto, que eu vou voltar a São Paulo e que talvez não veja mais você. Sei que não fico assustado demais, e enfrento, e reconstituo os pedaços, a gente enfeita o cotidiano - tudo se ajeita. Menos a morte.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.

Quando te falo da idade, quando te falo do tempo, e não tivemos tempo - queria te falar de Cronos, Saturno, da volta pelo Zodíaco quando se completa 30 anos. A tua estrela é muito clara, tem sinais bons na tua testa. Compreendo teu Plutão e a Lua encarcerados na casa XII - as emoções e paixões aprisionadas -, e também Urano, todo o impulso bloqueado. Na mesma casa, a do Karma, a dos espíritos que mais sofrem, tenho também o Sol, Mercúrio e Netuno. Somos muito parecidos, de jeitos inteiramente diferentes: somos espantosamente parecidos. E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim - para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas, de segurar a maçã no escuro. Me queira bem.

Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas. Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.

Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo,

Caio F.

P.S.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E amanhã tem sol.






terça-feira, 14 de outubro de 2008

Onde desliga?

(segunda-feira, 13 de Outubro)

Passei um final de semana sensacional, com meus amigos "old school" (old is cool), gente que eu conheço desde sempre. Eu e uma amiga, a Jú Maian, chegamos à conclusão que, inevitavelmente, nos tornamos adultos... Hoje em dia tem até carne nos nossos churrascos!
Rolou uma rodinha deliciosa de samba. Um pegando latão de lixo de um lado, outro com uma forma de bolo e colher na mão, alguém teve a idéia brilhante de colocar arroz na latinha de energético e fechar com fita crepe... e não é que deu samba e que o samba ficou bom? Sambão animado! O samba contagiou a galera inteira. Me diverti muito, dei muita risada, tomei minhas merecidas cervejinhas, tomei mais do que merecia.

Maaaaas, como tudo o que é bom dura pouco...

Bem vindo de volta ao mundo real. Bom dia! Hoje é segunda-feira, sem brilho, glamour ou glória alguma. Eu voltei prôs pepinos, pensando nas coisas que tenho que fazer amanhã, depois de amanhã e depois e depois...

- Sighs!

As vezes, quando deito na cama, fica até difícil desligar. Tantas coisas p/ resolver, viagem, contas à pagar, visto, libras, estudos, grana, casa, cachorro e família. Onde desliga? Eu preciso saber urgente onde desliga! Noites rolando na cama, estou fumando demais, bebendo durante a semana e não comecei o regime. Estou fazendo tudo o que eu não queria, ou melhor, não devia fazer. E assim como para montar o Rubik's cube, me falta força de vontade de parar de fazer essas coisas tão nocivas à minha saúde. Mas o momento não é health, é de prazeres momentâneos, e a técnica por enquanto, é dormir quando estou realmente muito cansada. E as olheiras no dia seguinte, dignas de um urso panda!


sambinha, Luiz Melodia - Maura
(se eu morresse semana passada, não ia saber que existia)


Uma paixão antiga, a escrita!

Sentada na frente da TV depois de um dia exaustivo, a  respiração ficando cada vez mais pesada... na mente apenas uma antiga frase (no repea...